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11/09/2014 - Santander
Sem Botín, gestão do Santander será testada no Brasil e na Europa
por Feeb-PR

Sem Botín, gestão do Santander será testada no Brasil e na Europa 
(Toni Sciarretta)
Maior banco da zona do euro e 11º do mundo, o espanhol Santander perdeu seu patriarca, Emilio Botín, 79, morto na terça (9) de ataque cardíaco, no momento em que duas das principais apostas geográficas –Espanha e Brasil– enfrentam dificuldades econômicas de difícil superação em médio prazo.

Botín sai de cena em plena atividade no conselho de administração do grupo. Em seu lugar, assume a filha Ana Patricia, 53, chefe da filial britânica, que neste ano passou o Brasil em importância no grupo; o Reino Unido contribuiu com 20% do lucro, enquanto o Brasil respondeu por 19% no segundo trimestre.

Centralizador, Emilio Botín comandava o grupo espanhol com menos de 2% das ações do grupo fundado por seu avô em 1857. 
Tinha o apoio de fundos de pensão, xeques árabes e investidores para quem prometia uma remuneração anual de 10% –a maior entre os grandes bancos e bem acima do juro zero da Europa.

Pouquíssimas vezes falhou nesse compromisso, mesmo durante a crise que levou ao socorro público de vários bancos europeus (o Santander se orgulha de não ter sido ajudado).

Sem Botín, analistas acreditam em maior descentralização da gestão e especulam se a nova filosofia será capaz de produzir os mesmos resultados acima da média.

O Santander poderá ainda aumentar seu foco nos mercados maduros da Europa, dos EUA e até da Ásia, região em que ainda não entrou. Hoje, quase metade do lucro vem da América Latina.

Sob o comando de Botín, o banco deixou de ser o 12º da Espanha para tornar-se o maior da zona do euro, apostando na ascensão econômica da Espanha dos anos 80.

Com valor de mercado de € 98,308 bilhões (US$ 119,21 bilhões), ele fica atrás apenas do britânico HSBC no continente europeu. 
Focado na casa própria, o Santander surfou na valorização do mercado imobiliário (que se desmanchou a partir de 2009) e na internacionalização de empresas como a Telefónica espanhola.

A segunda maior aposta foi pagar alto para entrar no Brasil. O Santander, que já tinha comprado Banco Geral do Comércio, Noroeste, Meridional e Bozano, desembolsou R$ 7,05 bilhão em 2000 pelo Banespa na privatização –o Unibanco, 2º colocado, deu lance de R$ 2,1 bilhão. Em 2007, comprou o antigo Real por cerca de US$ 21 bilhões.

Botín morre sem ver os frutos dessa aquisição. No Brasil, perdeu espaço para a Caixa e está longe da lucratividade de Itaú e Bradesco.

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