Publicado em 30/01/2018 por Feeb-PR
Caixa Econômica Federal
Por que a Caixa faz brilhar os olhos de políticos e acaba vítima da corrupção

Por que a Caixa faz brilhar os olhos de políticos e acaba vítima da corrupção 
Banco público de cifras bilionárias ainda é administrado de acordo com antigas práticas do poder, que definem como investir e destinar recursos públicos e até o seu saldo do FGTS (Flávia Pierry)

A Caixa Econômica Federal detém R$ 1,3 trilhão em ativos, administrando um total de R$ 2,2 trilhões, que se compara por exemplo a toda a riqueza gerada por um país do tamanho da Suíça. A grande quantidade de recursos geridos pelo banco, que incluem serviços prestados em nome do governo federal e valores do fundo de garantia dos trabalhadores, somado à forma antiquada de administração estatal do banco, tornam a Caixa um paraíso para atuação política e para o “toma lá dá cá” entre os poderosos.

Cabe à Caixa ser o banco que opera financeiramente as políticas públicas da União. Estatal e sem capital aberto, o banco centraliza o recolhimento e aplicação de todos os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), integra o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e o Sistema Financeiro da Habitação (SFH), guardando recursos de milhões de brasileiros.

Até os empréstimos para estados e municípios com recursos do Tesouro Nacional são pagos pelo banco, que ainda opera o financiamento estudantil e tantas outras operações que o governo federal precisa realizar.

Quem decide como esses recursos serão aplicados? Políticos indicados pelo governo de turno, que ocupam os principais cargos no banco. Depois da criação da Lei das Estatais e reformulações na gestão da Petrobras, Eletrobras e do BNDES, a Caixa foi mantida como um reduto de políticas abusivas, mantendo práticas desgastadas de divisão de pedaços da “coisa pública” com partidos e mandatários do poder.

Na semana passada, quatro vice-presidentes do banco foram afastados, sob suspeita de corrupção. Nas vice-presidências e presidência do banco, já passaram diversos aliados políticos do atual governo e dos anteriores, como Miriam Belchior (PT), Geddel Vieira Lima (PMDB), e Fábio Cleto (ligado ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, do PMDB). O atual presidente do banco é Gilberto Occhi, indicado pelo Partido Progressista.

Listamos abaixo algumas das cifras bilionárias da Caixa. Os dados consideram resultados de janeiro a setembro de 2017, do mais recente balanço divulgado pelo banco:

FGTS e FI-FGTS: R$ 833 bilhões 
O saldo do FGTS depositado na Caixa chegou a R$ 505,8 bilhões e os Fundos de Investimentos totalizaram R$ 328,9 bilhões. Esse dinheiro é emprestado a empresas, para realização de obras de infraestrutura, por exemplo. As decisões de quem receberá tais financiamentos são tomadas pelo Conselho Curador do FGTS, e recentes operações policiais já apontaram influência política na liberação desses valores, para empresas que pagavam propinas a partidos políticos.

A arrecadação do FGTS (apenas os novos depósitos, não o total do estoque) atingiu R$ 92,1 bilhões de janeiro a setembro de 2017 e os saques incluindo o pagamento das contas inativas, totalizaram R$ 139,9 bilhões.

Carteiras de Crédito: R$ 712 bilhões 
Cabe ao banco receber e administrar recursos da poupança de todos os bancos do país, destinando parte dos valores para o Sistema Financeiro da Habitação (SFH). A carteira de crédito ampla da CAIXA alcançou saldo de R$ 712,1 bilhões no terceiro trimestre de 2017, sendo R$ 428,8 bilhões para o crédito habitacional, dos quais R$ 230,7 bilhões com recursos FGTS e R$ 198,2 bilhões com recursos das poupanças da Caixa. O Crédito Infraestrutura , concedido a obras desse setor, soma R$ 81,3 bilhões. Outros R$ 7 bilhões são destinados ao crédito rural.

Serviços para o governo e pagamento de programas sociais: R$ 21,2 bilhões 
O governo deposita na Caixa os recursos que serão pagos à população que recebe benefícios sociais, como o Bolsa Família. Foi com esses recursos que a ex-presidente Dilma Rousseff teria feito a “pedalada” que a levou ao impeachment, deixando de depositar os valores que a Caixa pagaria. No mais recente balanço do banco, consta o pagamento de $ 21,2 bilhões em programas sociais do governo, para pagar 117 milhões de benefícios sociais.

Pelo programa Bolsa Família, foram pagos 113,1 milhões de benefícios totalizando R$ 20,5 bilhões de janeiro a setembro de 2017.

Benefícios pagos aos trabalhadores somaram R$ 247,3 bilhões no período, incluindo os pagamentos do Seguro-Desemprego, Abono Salarial e PIS. As aposentadorias e pensões aos beneficiários do INSS somaram R$ 66,8 bilhões no semestre.

Minha Casa Minha Vida: R$ 25,2 bilhões em um trimestre 
A Caixa também opera o programa Minha Casa Minha Vida. Apenas no terceiro trimestre de 2017, foram contratados R$ 25,2 bilhões no programa, equivalente a 187.632 novas unidades habitacionais. Desde o início do programa Minha Casa Minha Vida, foram contratados pela R$ 343,3 bilhões, o equivalente a 4,2 milhões de novas unidades habitacionais.

Loterias: R$ 10 bilhões 
As loterias são um monopólio estatal no Brasil e a Caixa é a operadora pública. A arrecadação com jogos somou R$ 10 bilhões de janeiro a setembro de 2017. Dos valores arrecadados, cerca de R$ 3,7 bilhões foram transferidos aos programas sociais do governo federal, conforme a lei.

Participações em empresas: R$ 5,5 bilhões 
O banco também detém participações em empresas, inclusive no banco Panamericano, do apresentador e empresário Silvio Santos, em uma operação para socorrer o banco e que foi posteriormente investigada pela Polícia Federal. As participações da Caixa somam R$ 5,5 bilhões, e vão desde a holding de seguros do banco, o Panamericano, a Elo Serviços e a empresa de consultoria e tecnologia Capgemini. (Fonte: Gazeta do Povo)